O lançamento do projeto Areninhas Potiguares recoloca o ex-senador Jean Paul Prates no centro do tabuleiro político do Rio Grande do Norte. Embora apresentado como uma política pública de esporte e inclusão social — o que de fato é —, o programa carrega um peso eleitoral evidente e ajuda a explicar os movimentos de Jean Paul na tentativa de viabilizar seu nome para a segunda vaga ao Senado na chapa governista em 2026.
O projeto, idealizado durante o mandato de Prates no Senado (2019–2023), prevê a implantação de 72 areninhas esportivas em 60 municípios, com forte parceria institucional com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte. Não se trata apenas de obras: parte significativa das arenas contará com acompanhamento pedagógico, instrutores, projetos de extensão e atendimento direto a cerca de 4.800 pessoas, sobretudo em áreas periféricas.
O esporte como ativo eleitoral silencioso
Jean Paul parece apostar em um caminho clássico, porém eficiente: políticas públicas de alto apelo social, baixo nível de rejeição e forte capilaridade municipal. Areninhas não dividem opinião, não geram embates ideológicos e dialogam diretamente com prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e famílias — um público que nem sempre se mobiliza por discursos, mas responde a entregas concretas.
Ao circular pelo interior inaugurando ou anunciando arenas, Prates reconstrói vínculos locais perdidos após o fim do mandato e se reapresenta como alguém que “entrega”, mesmo fora de cargo eletivo. Isso é especialmente estratégico num estado onde a política municipal ainda é decisiva para eleições majoritárias.
A disputa pela segunda vaga do Senado
No plano macro, o projeto ajuda Jean Paul a sustentar sua principal tese dentro dos partidos de esquerda: há espaço político e eleitoral para dois nomes ao Senado na chapa governista. A primeira vaga já está praticamente ocupada pela governadora Fátima Bezerra, que deve deixar o governo para disputar o Senado em 2026. A cabeça de chapa ao governo tende a ser o atual secretário especial do governo estadual, nome alinhado ao núcleo duro da gestão.
Nesse cenário, Jean Paul, do PDT, tenta se credenciar como o nome competitivo para a segunda vaga, argumentando que:
• tem recall eleitoral recente;
• mantém trânsito com prefeitos de diferentes regiões;
• e agora agrega um programa concreto, visível e pulverizado pelo estado.
As areninhas funcionam, portanto, como moeda política legítima: não apenas geram impacto social, mas também criam redes de gratidão institucional, apoio difuso e lembrança positiva do seu nome.
O que Jean Paul pode colher em 2026
Eleitoralmente, o programa pode render a Prates:
• Base municipal ampliada, especialmente em cidades pequenas e médias;
• Simpatia do eleitorado jovem e do meio esportivo, historicamente pouco ideologizado;
• Apoio silencioso de prefeitos, que nem sempre se declaram agora, mas lembram na hora do palanque;
• Argumento interno no PT, mostrando viabilidade e musculatura política para justificar sua presença na chapa.
Por outro lado, o desafio permanece: converter política pública em voto majoritário num cenário de chapa pesada, onde a figura da governadora tende a concentrar atenções. Jean Paul precisará transformar as areninhas em algo mais do que boas fotos e discursos — precisará manter presença, narrativa e articulação até 2026.
Conclusão
As Areninhas Potiguares não são apenas quadras esportivas. São, na prática, uma estratégia de reposicionamento político. Jean Paul Prates sinaliza que quer voltar ao jogo grande, mostrando serviço, ocupando território e lembrando ao PT e ao eleitor que ainda está em campo.
Se isso será suficiente para garantir a segunda vaga ao Senado, dependerá menos do gramado sintético e mais da habilidade política de transformar entrega social em capital eleitoral duradouro. O apito inicial já foi dado. O resultado, como sempre, será decidido nas urnas.




