A decisão do deputado federal Benes Leocádio de deixar a disputa dentro da federação formada por Progressistas e União Brasil caiu como uma bomba nos bastidores da política do Rio Grande do Norte — e deixou dois colegas de bancada em situação delicada: Robinson Faria e João Maia.
Nos bastidores, analistas políticos avaliam que Benes fez uma leitura fria das contas eleitorais e percebeu que estava em desvantagem dentro da nominata que vinha sendo desenhada. A chapa da federação caminhava para reunir Robinson, João Maia, Benes e o ex-deputado estadual Kelps Lima, pré-candidato com projeções entre 70 e 80 mil votos.
Nesse cenário, Benes correria o risco de disputar uma terceira vaga incerta, brigando diretamente com Kelps por um espaço que dependeria de uma matemática eleitoral considerada arriscada.
A conta que mudou o jogo
Analistas estimam que uma nominata competitiva para deputado federal no RN precisa atingir aproximadamente 240 mil votos para garantir uma cadeira. A estratégia de Benes agora é outra. Ele articula montar uma nova chapa ao lado de Kelps Lima e da suplente de vereadora em Natal, Leila Maia. A lógica é simples: concentrar a votação forte em poucos nomes.
Pelas projeções feitas nos bastidores:
Kelps Lima + Benes Leocádio: cerca de 180 mil votos e o restante da nominata: entre 50 e 60 mil votos.
Com isso, a chapa alcançaria o quociente necessário e uma vaga seria praticamente garantida, com Benes e Kelps disputando diretamente quem ficaria com ela.
Na prática, trocou-se uma disputa por uma terceira vaga improvável por uma briga direta por uma cadeira praticamente assegurada.
Robinson e João Maia em alerta
A saída de Benes desmontou o equilíbrio da federação e deixou Robinson Faria e João Maia diante de um problema: montar uma chapa competitiva.
Nos bastidores, comenta-se que os dois parlamentares estariam com dificuldade para atrair nomes capazes de ajudar a compor a votação da nominata.
Robinson teria confidenciado a aliados que tenta uma saída: retornar à nominata do Partido Liberal. Porém, segundo informações obtidas pelo blog, a chance disso acontecer hoje é praticamente zero.
Já João Maia estaria visivelmente irritado com a movimentação de Benes. Entre aliados, relatos são de que o deputado estaria “numa pilha”, reclamando abertamente da estratégia do ex-prefeito de Lajes.
Kelps peregrina por partido
Enquanto isso, Kelps Lima tem feito uma verdadeira peregrinação por Brasília em busca de uma legenda que comporte o novo projeto eleitoral.
Nos bastidores, cresce a possibilidade de a nominata ser montada dentro do Republicanos.
O movimento teria o apoio de Abraão Lincoln, conhecido como “o homem da pesca”, que mantém influência dentro da legenda.
A escolha também passa por outro fator político: o partido já não trabalha com o nome do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias como prioridade em seus planos.
A variável Allyson
Outro elemento que pesa nas articulações é que Kelps e Benes já declararam apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, em uma eventual disputa pelo Governo do Estado.
Caso Álvaro Dias tivesse poder de veto dentro do Republicanos, dizem interlocutores, a entrada de Benes e Kelps seria muito mais difícil.
O verdadeiro desafio
Apesar da jogada política considerada ousada, o maior desafio para Benes e Kelps ainda está por vir. Não basta apenas encontrar um partido.
Será necessário montar uma chapa com candidatos “bate-esteira”, mulheres competitivas e nomes com menor densidade eleitoral, mas capazes de somar votos suficientes para alcançar o quociente eleitoral.
É essa engenharia que definirá se a jogada de mestre de Benes Leocádio terminará em vitória nas urnas ou apenas em mais um capítulo da complexa matemática eleitoral potiguar.
