O processo que apura suposto abuso de poder econômico e abuso de autoridade na campanha eleitoral — conhecido nos bastidores como o caso do “caixa 2 do pix” — ganhou um novo capítulo. O prefeito Leandro Varela ingressou com agravo no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) contra decisão da juíza Daniela Cosme, da 11ª Zona Eleitoral de Canguaretama.
A estratégia é clara: tentar cancelar a oitiva das testemunhas no processo.
O recurso (Agravo nº 0600317-11.2025.6.20.0000) já está pautado e será analisado amanhã (12) pelo TRE. Leandro é o agravante na ação que trata de impugnação por abuso de poder econômico e político.
A audiência para ouvir as testemunhas que faltaram na última sessão já está marcada para março. Mesmo assim, a defesa do prefeito tenta, por meio do agravo, impedir a continuidade da instrução processual.
Estratégia arriscada
Nos bastidores jurídicos, a manobra é vista como desafiadora. Ao recorrer ao TRE para questionar a condução do processo pela magistrada de primeira instância, Leandro acaba colocando em xeque a condução da juíza Daniela Cosme.
A magistrada já sinalizou que poderá julgar o processo com ou sem a oitiva das testemunhas, caso entenda que há elementos suficientes nos autos.
A pergunta que ecoa nos corredores políticos é inevitável: do que o prefeito tem medo?
Se as testemunhas não representam risco à sua versão dos fatos, por que tentar impedir que sejam ouvidas? Em um processo que envolve suspeitas graves como caixa dois via transferências por pix durante a campanha, a transparência deveria ser o principal interesse de quem afirma não ter nada a esconder.
Pode sair pela culatra?
Especialistas ouvidos reservadamente apontam que a tentativa de travar a instrução pode ser interpretada como estratégia protelatória. Caso o TRE rejeite o agravo, o processo seguirá normalmente, com a oitiva das testemunhas já designada para março.
O movimento político-jurídico de Leandro Varela eleva a tensão do caso e coloca o TRE diante de uma decisão sensível: manter a condução da 11ª Zona Eleitoral ou interferir na fase de produção de provas.
Enquanto isso, a cidade acompanha. E a dúvida permanece no ar:
quem busca impedir testemunhas de falar está confiante na verdade ou teme o que pode ser revelado?
