A postura inflexível do comando do União Brasil no Rio Grande do Norte acendeu de vez o sinal de alerta dentro do partido. Vereadores eleitos em 2024 avaliam deixar a legenda para disputar novos espaços políticos em 2026, mas se deparam com um “não” seco e definitivo do presidente estadual, o ex-senador José Agripino.
O recado foi dado sem rodeios: quem sair do partido perde o mandato. E ponto final.
Estão no centro da crise os vereadores Nina Souza, Robson Carvalho, Camila Araújo e Matheus Faustino, todos eleitos pelo União Brasil e hoje insatisfeitos com os rumos da legenda.
Segundo apuração do blog, todos já sentaram à mesa com Agripino. O resultado foi o mesmo para todos: veto total à saída sem a renúncia do mandato. Uma atitude vista por aliados como dura demais, ríspida e politicamente míope, especialmente em um cenário pré-eleitoral que exige diálogo e construção — não imposição.
Quem topa o risco e quem freou
De acordo com fonte ouvida pelo blog, Nina Souza e Matheus Faustino estariam dispostos a encarar o risco máximo: perder o mandato agora para tentar um novo projeto político em outra legenda. Já Robson Carvalho e Camila Araújo teriam “puxado o freio de mão” e seguem avaliando alternativas, diante do peso político e jurídico da decisão.
O caso de Nina chama ainda mais atenção. Pré-candidata a deputada federal, ela sabe que, permanecendo no União Brasil, enfrentará uma disputa interna pesada contra nomes como Benes Leocádio, Robinson Faria e João Maia. Fora da legenda, o plano seria migrar para o Partido Liberal, onde disputaria espaço com General Girão e Sargento Gonçalves.
Carla Dickson: exceção à regra
Nesse xadrez político, há uma exceção importante: Carla Dickson. Atual deputada federal, que herdou o mandato após a ida de Paulinho Freire para a Prefeitura de Natal, ela também deseja deixar o União Brasil e seguir para o PL. Diferentemente dos vereadores, Carla pode trocar de partido sem perder o mandato, graças à chamada “janela partidária”, válida entre março e abril do ano eleitoral para cargos proporcionais.
Rigidez partidária ou temperamento pessoal?
Nos bastidores, há duas leituras para a postura de Agripino. Alguns afirmam que se trata de uma orientação nacional do União Brasil, rígida quanto à fidelidade partidária. Outros são mais diretos: dizem que é o estilo pessoal do próprio “Jajá”, conhecido por decisões centralizadas e pouca margem para negociação.
O fato é que a intransigência pode sair cara. Em vez de manter quadros e fortalecer o partido para 2026, a direção estadual corre o risco de empurrar lideranças para fora — mesmo que isso signifique abrir mão de mandatos conquistados nas urnas.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples e incômoda: vale mais a disciplina imposta ou a sobrevivência política do próprio partido? O União Brasil no RN parece, hoje, mais preocupado em punir do que em construir. E a conta pode chegar já na próxima eleição.
E, como cereja do bolo, a imposição total
Para fechar o pacote de rigidez, veio o aviso mais indigesto. Quem permanecer no União Brasil não terá apenas que aceitar calado as decisões do comando: será obrigado a votar e subir no palanque da senadora Zenaide Maia e do prefeito Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do Estado. Sem discussão. Sem alternativa. Sem espaço para divergência.
A ordem é clara: quem ousar flertar com outro projeto, outro palanque ou outra composição política já foi previamente enquadrado. A ameaça está posta — perda do mandato por “infidelidade partidária”. Um recado que soa menos como orientação política e mais como intimidação institucional.
José Agripino, ao que tudo indica, não fez curva para ditar as regras. Foi duro como o cajado de Moisés. Não abriu diálogo, não construiu consenso e tampouco demonstrou disposição para compreender a dinâmica real da política, que se faz com articulação, negociação e respeito às trajetórias individuais.
O resultado prático dessa condução é um União Brasil cada vez mais fechado, tensionado e distante de suas próprias bases. Em vez de liderar, impõe. Em vez de agregar, afasta. E em vez de preparar o partido para 2026, parece disposto a sacrificar mandatos, projetos e alianças em nome de um controle absoluto — que pode custar muito caro nas urnas.
Em tempo: Kelps está na chapa de federal do UB e "dá corda" para José Agripino jogar duro com os vereadores. Como não tem mais partido e não conseguiu montar a sua, ele apita na de Zé.
