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OS JÁCOMES DERROTARAM O “JÁCOME”!


Derrota de Eriko Jácome para deputado estadual ganha um capítulo familiar: Antônio Jácome voltou às urnas e o confronto político colocou frente a frente quem um dia caminhou sob o mesmo sobrenome

A derrota de Eriko Jácome na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte tem um ingrediente que vai muito além das urnas. Para quem acompanha os bastidores da política de Natal, o resultado encerra — pelo menos neste capítulo — uma disputa que nasceu dentro de um mesmo grupo político e familiar.

Os Jácomes derrotaram o “Jácome”.

De um lado, Eriko Jácome. Do outro, Antônio Jácome e seu filho, o ex-deputado estadual Jacó Jácome.

Nos bastidores, a candidatura de Antônio Jácome ao cargo de deputado estadual foi interpretada por aliados e adversários como parte de um acerto de contas político após o rompimento com Eriko. A leitura entre integrantes desse meio é de que Antônio entrou na disputa disposto, sobretudo, a impedir que o antigo aliado ocupasse justamente o espaço político que durante décadas esteve associado à família Jácome.

E há um detalhe curioso nessa história.

Apesar de ser conhecido politicamente como Eriko Jácome, o sobrenome Jácome não aparece em seu nome civil registrado na Justiça Eleitoral. Segundo os dados de sua candidatura, seu nome completo é Eriko Samuel Xavier de Oliveira. “Eriko Jácome”, portanto, é seu nome de urna.

Foi justamente ao lado da família Jácome que Eriko construiu parte importante de sua trajetória política.

A história passa principalmente por Jacó Jácome. Filho de Antônio, Jacó foi eleito vereador de Natal em 2012, com 5.942 votos, e dois anos depois conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa, recebendo 28.620 votos em 2014.

Com a ascensão de Jacó para a Assembleia, Eriko passou a ocupar um espaço político que até então estava fortemente identificado com os Jácomes na Câmara Municipal de Natal. Em 2016, disputou sua primeira eleição para vereador e venceu. A partir dali construiu trajetória própria, ampliou sua estrutura política e chegou à presidência do Legislativo natalense.

Eriko assumiu a presidência da Câmara em 2023 e foi posteriormente reconduzido para o biênio 2025–2026. Na semana que antecedeu as eleições estaduais, a Casa elegeu Aldo Clemente para comandar o Legislativo no próximo biênio, a partir de janeiro de 2027.

Mas, no meio do caminho, a relação política entre Eriko e os Jácomes se rompeu.

E foi justamente quando Eriko decidiu buscar um mandato de deputado estadual que os antigos aliados passaram a ocupar lados diferentes da disputa.

Antônio Jácome também entrou na eleição de 2026 como candidato a deputado estadual, pelo MDB, enquanto Eriko concorreu pelo PSDB.

A presença de Antônio na disputa carregava um peso simbólico enorme.

Não se tratava de um personagem qualquer da política potiguar. Antônio Jácome construiu uma longa carreira: foi vereador de Natal, exerceu quatro períodos como deputado estadual, foi vice-governador do Rio Grande do Norte e chegou à Câmara dos Deputados, onde cumpriu mandato entre 2015 e 2019.

Seu filho, Jacó Jácome, também construiu carreira eleitoral própria. Foi vereador de Natal, eleito em 2012, e chegou à Assembleia Legislativa após a eleição de 2014. Posteriormente voltou a ocupar uma cadeira na Casa e atualmente registra seu segundo mandato parlamentar.

Pai e filho, portanto, carregam uma história política construída ao longo de décadas.

Eriko cresceu politicamente próximo desse grupo, adotou “Jácome” como nome político e, com o tempo, seguiu caminho próprio.

Agora, as urnas escreveram um capítulo carregado de simbolismo.

A tentativa de Eriko de trocar a Câmara Municipal pela Assembleia Legislativa terminou em derrota. E Antônio Jácome estava justamente na mesma disputa.

Para os adversários de Eriko e para setores ligados à família, o resultado ganhou sabor de revanche política: aquele que um dia ocupou o espaço aberto pela ascensão de Jacó tentou subir o mesmo degrau — da Câmara para a Assembleia —, mas encontrou no caminho justamente o grupo político do qual havia se afastado.

Há ainda uma ironia que certamente alimentará as conversas dos bastidores.

Jacó pai e Jacó filho.

Antônio Jácome, o patriarca político. Jacó Jácome, o filho que abriu espaço na Câmara quando se elegeu deputado estadual. E, anos depois, Eriko tentando repetir o mesmo caminho.

Desta vez, porém, a história terminou diferente.

A família que ajudou a projetá-lo politicamente estava do outro lado.

Para quem acompanha essa disputa desde o rompimento, a frase que resume o capítulo é curta:

Em nome de Deus, Jacó pai e Jacó filho deram o troco.

Na política, alianças podem durar anos. Rompimentos também deixam marcas.

E as urnas de 2026 produziram uma daquelas histórias que a política potiguar dificilmente esquecerá.

Em tempo: a soberba da coordenação de campanha de Eriko ajudou a derrotá-lo. Foi pressão desnecessária e descumprimentos de compromissos em cima da hora.

Em tempo 2: Eriko desprezou potências eleitorais como: Raniere Barbosa, Aroldo Alves, Klaus Araújo e Anderson Lopes. Soube que nem atendia ligação deles, e que não receberam nem santinhos pra distribuirem entre seus amigos. 

Em qtempo 3: os suplentes, em 2024, obtiveram a seguinte votação: Raniere 3.686 votos. Aroldo, 3.521. Klaus, 3.323. Anderson Lopes, 1.913. Somados, são 12.443 votos.


Em tempo 4: Eriko terminou atrás de Cristiane Dantas por pouco menos de 4 mil votos.



Cyrillo

Blogueiro político em busca de divulgar as verdades escondidas nos atos dos atores políticos.

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