Conversando com um seleto grupo de analistas potiguares, dentre eles: dois prefeitos da Grande Natal, 03 dirigentes partidários, 02 coordenadores de campanhas majoritárias, um ex-deputado estadual e 03 coordenadores de campanha de deputados estaduais, confrontei os levantamentos mais recentes para deputado estadual.
O resumo da conversa foi essa projeção: PL 7 / UP 6 / PT-PV-PCdoB 6 / PSDB-Cidadania 3 / MDB 2 um cenário perfeitamente plausível. Eu não o colocaria como cenário único ou matematicamente mais provável ainda, mas ele tem fundamentos políticos importantes que uma média fria das pesquisas pode não captar.
O ponto mais interessante é que essa leitura feita por gente das entranhas de campanhas robustas, não está distante das projeções públicas. Em 9 de setembro já apareceu uma análise projetando PL 7, Federação Brasil 6, UP 5, PSDB 4 e MDB 2; em 12 de setembro, outro agregado, usando DataVero, Seta e Exatus, chegou a PL 7, UP 7, Federação Brasil 5, PSDB/Cidadania 4 e MDB 1. Ou seja, as cadeiras marginais estão exatamente circulando entre esses blocos.
Como eu avaliei o cenário dos analistas
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Nominata |
Cenário sugerido |
Minha avaliação |
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PL |
7 |
🟢 Muito plausível |
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União Progressista |
6 |
🟢 Muito plausível |
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PT/PV/PCdoB |
6 |
🟢 Plausível |
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PSDB/Cidadania |
3 |
🟡 Possível, mas é a parte mais agressiva da projeção |
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MDB |
2 |
🟢 Plausível |
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TOTAL |
24 |
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PL COM 7: EU COMPRARIA ESSA POSSIBILIDADE
O PL tem talvez o melhor argumento para sete.
Não é necessário depender de um superpuxador. A nominata tem Tomba Farias, Kerginaldo, Coronel Azevedo, Gustavo Carvalho, Luiz Eduardo, Adjuto Dias, Jorge do Rosário, além de Terezinha Maia e outros nomes capazes de acrescentar votos.
Na Exatus mais recente, por exemplo, seis candidatos do PL apareceram muito próximos: Tomba 2,07%, Luiz Eduardo 1,79%, Gustavo Carvalho 1,66%, Kerginaldo 1,57%, Coronel 1,53% e Adjuto 1,32%.
Isso é excelente para eleição proporcional.
E o agregado publicado em 12 de setembro já projetou exatamente sete cadeiras para o PL, com Tomba, Adjuto, Kerginaldo, Coronel, Gustavo, Jorge do Rosário e Luiz Eduardo.
Minha leitura: 6 é conservador; 7 é perfeitamente defensável.
UP COM 6: TAMBÉM FAZ MUITO SENTIDO
Aqui está uma diferença importante em relação à projeção anterior que fizemos.
Eu havia colocado sete porque Cinthia, Nelter, Kleber, Galeno, Neilton, Júlio César e Robson Carvalho aparecem todos competitivos.
Mas sete candidatos competitivos não significam necessariamente sete quocientes/cadeiras.
Um agregado de sete pesquisas de agosto, normalizando os indecisos, já projetava exatamente seis cadeiras para a UP, com Kleber, Nelter, Cinthia, Galeno, Júlio César e Neilton.
Robson Carvalho seria justamente um dos candidatos capazes de transformar a sexta em sétima.
Portanto:
Nesse ponto, a avaliação dos meus interlocutores parece bastante prudente.
FEDERAÇÃO PT/PV/PCdoB COM 6: AQUI ESTÁ O “PULO DO GATO”
Essa é provavelmente a parte mais interessante da análise deles. O agregado convencional tende a dar cinco, porque cinco nomes aparecem mais frequentemente em posição de eleição.
Mas a Federação tem uma característica diferente: possui sete candidaturas capazes de produzir votação relevante:
Na Exatus recente, Eudiane aparece com 2,05%, Kaline 1,53%, Ubaldo 1,29%, Francisco 1,26% e outros nomes da Federação também aparecem pontuando.
E uma análise publicada em 9 de setembro já chegou exatamente à conclusão de seis cadeiras para PT/PV/PCdoB.
Existe ainda algo que pesquisa espontânea pode subestimar: estrutura partidária e territorial. Prefeitos, vereadores, lideranças municipais, bases de deputados e estruturas políticas consolidadas pesam muito mais na eleição proporcional do que uma fotografia espontânea consegue revelar integralmente.
Por isso eu mudaria minha avaliação anterior:
A grande guerra seria pela sexta vaga. Dependendo do desempenho final, Ivanilson, Kaline, Divaneide e Isolda, além dos nomes que hoje aparecem mais acima, podem transformar completamente a ordem interna.
PSDB COM 3: É ONDE EU TERIA MAIS CAUTELA
Aqui está a parte da projeção dos meus amigos que eu mais questionei. Hoje existem pelo menos quatro candidaturas com sinais relevantes:
Na Exatus de 7 a 9 de setembro, Gustavo marcou 2,41% e Cristiane 2,34%. Ezequiel, como vimos, chega a liderar a ITEM.
Então por que gente experiente está enxergando apenas três? Provavelmente porque está olhando para baixo da cabeça da chapa.
A saída de Flávio de Berói não representa somente a perda dos votos pessoais dele. Berói levou seu apoio para Walter Alves, e o movimento incluiu o atual prefeito de Nova Cruz e oito vereadores.
Isso diminui a profundidade do PSDB e, ao mesmo tempo, fortalece um adversário direto na disputa proporcional.
Portanto, existe um cenário perfeitamente concebível no qual quatro candidatos do PSDB têm votação individual razoável, mas a nominata só consegue três cadeiras.
A consequência seria brutal: um candidato muito bem votado ficaria de fora.
É justamente aqui que conhecimento de bastidor — prefeitos comprometidos, estruturas municipais efetivamente entregues, vereadores, coordenadores e capacidade financeira/operacional — pode fornecer informação que ainda não aparece numa pesquisa espontânea.
Por isso, eu classificaria:
MDB COM 2: FICOU MAIS CONVINCENTE
Antes eu tinha mais dúvidas sobre a segunda cadeira.
Hoje, menos.
Walter Alves é competitivo e tem uma estrutura política muito maior do que seu percentual espontâneo isoladamente sugere. Bibiano e Ivan Júnior são justamente os nomes que podem fornecer os votos necessários para completar a nominata.
E existe o efeito Berói.
A desistência dele não significa transferir automaticamente seus votos para Walter. Isso seria metodologicamente errado. Mas a adesão envolveu Berói, o prefeito Joquinha e oito vereadores de Nova Cruz, o que é estrutura política real adicionada à campanha de Walter.
Curiosamente, o agregado de sete pesquisas de agosto chegava a projetar três cadeiras para o MDB — Walter, Ivan Júnior e Bibiano.
Portanto, duas não me parecem exageradas.
Onde as 24 cadeiras realmente estão sendo decididas
Depois dessa análise, eu trabalho com estas faixas:
E isso produz exatamente a possibilidade apresentada pelos meus interlocutores:
PL — 7
PT/PV/PCdoB — 6
União Progressista — 6
PSDB/Cidadania — 3
MDB — 2
TOTAL — 24
E há uma lógica muito interessante por trás dessa conta: as três cadeiras marginais seriam PL 7ª, Federação 6ª e MDB 2ª; quem pagaria a conta seriam UP, caindo de 7 para 6, e principalmente PSDB, de 4 para 3.
Eu dou mais peso do que o normal à avaliação que recebi, não por causa dos cargos dessas pessoas em si, mas porque coordenadores e dirigentes que conhecem compromissos municipais podem enxergar variáveis que a pesquisa espontânea não mede bem: quantos prefeitos realmente estão fechados, tamanho das bases de vereadores, dobradinhas, estrutura territorial e quais apoios são apenas formais versus efetivamente mobilizados.
A principal pergunta que eu fiz a esse grupo foi uma só: qual dos quatro — Gustavo Soares, Cristiane Dantas, Ezequiel ou Ériko — eles enxergam ficando fora se o PSDB fizer apenas três? A resposta provavelmente revelará onde eles acreditam que está a fragilidade da nominata e permitiria testar toda a tese contra os dados município a município.
Minha fotografia agora será: cenário-base 7 PL / 6 UP / 6 Federação / 3 PSDB / 2 MDB, mas com UP 7/PSDB 4 como principal cenário alternativo. A eleição das últimas cadeiras está muito mais aberta do que a simples ordem dos candidatos nas pesquisas sugere.
