Geraldo Ferreira. "A Copa do Vírus".

A COPA DO VÍRUS

A Copa e a Epidemia por Coronavírus guardam uma semelhança, uma mobilização intensa da sociedade junto a um volume considerável de recursos públicos e a procura de onde aplicá-los.

Geraldo Ferreira, presidente do sindicato dos médicos do RN, critica a escolha equivocada dos governos estadual e municipal em investir em estruturas temporárias para combater a Pandemia do COVID-19

Na Copa, se aplicou no nosso pobre Estado do Rio Grande do Norte na derrubada de um belíssimo Estádio, chamado de Poema de Concreto, e na construção do Arena das Dunas que suga 10 milhões por mês dos cofres do governo. E trocou-se o Aeroporto de Parnamirim pelo distante Aeroporto de São Gonçalo, que afugentou turistas, derrubou o número de voos e passageiros que passavam por Natal e que vai ser melancolicamente devolvido ao Governo Federal. 

Na Saúde, o nosso Estado sempre teve a sua rede superlotada, com média de 80 pacientes nos corredores de cada hospital como o Walfredo Gurgel, Deoclécio Marques e Santa Catarina, em Natal, ou no Tarcísio Maia em Mossoró. No Walfredo havia uma média de 30 pacientes por dia esperando leitos de Uti que nunca estavam disponíveis. Há onze mil pacientes esperando cirurgias no Estado.


Geraldo considera que a saúde do RN sairá perdendo ao final de toda essa pandemia terrível. "Na Copa do Vírus já há um perdedor..."

Na Copa do Vírus, nessa pandemia terrível que se abate sobre o Brasil e o Mundo, a preocupação não tem sido equipar, ampliar e melhorar a rede pública. Cada gestor procura uma obra para chamar de sua e despejar sem critérios o dinheiro público. 

A bola da vez são hospitais de campanha, que preferencialmente tem sido entregues a empresas privadas por valores milionários, e depois serão desativados, não deixando sequer as provas do que foi gasto. 

Na Copa do vírus já há um perdedor, o que acreditava que o dinheiro público seria investido para fortalecer de forma permanente a rede de saúde, para aliviar as dores, agruras e sofrimentos dos que morrem silenciosamente, no cotidiano da desassistência, sem a estridência que sensibiliza hoje os contadores de mortos e faz aparecer, como mágica, os recursos , que como na copa do mundo parecem correr mais uma vez em direção ao sumidouro onde se esvai o dinheiro público.

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